O ambiente aquático, em tempos de isolamento social, devido ao coronavírus, pode ser um excelente recurso para promover interatividade entre pais e filhos. Primeiramente, é muito importante saber que tal ambiente aquático não se limita à piscina. Então, caso não seja possível o acesso à ela, como ocorre com a maior parte das famílias que estão isoladas, podemos pensar em diversas alternativas que utilizem, por exemplo, uma mangueira, o chuveiro da casa, um balde com água, um tapete molhado ou a pia da cozinha, que oferecem uma gama de possibilidades para um momento refrescante de brincadeiras e aprendizado.

Antes de pensar no local e qual atividade é mais interessante para estimular as demandas específicas de sua criança, é primordial conhecer as características do ambiente que você tem à disposição. E não podemos nos esquecer de que cada criança precisa ser compreendida em suas capacidades. No caso de crianças com maior insegurança, deficiência intelectual, transtorno do espectro autista, transtornos globais do desenvolvimento ou síndromes que limitam a independência e autonomia, o cuidado precisa ser redobrado.
Nesse sentido, previamente ao contato com a água, devemos observar fatores como o tamanho da área que circunda o ambiente, a luminosidade do local, a intensidade dos sons e a textura do solo. Como já dissemos, as habilidades da criança também devem ser prioritariamente consideradas e estimuladas, que são as capacidades individuais para se despir, vestir e organizar os pertences de que necessita. Dessa maneira, quanto maior a dificuldade da criança, maiores devem ser os cuidados iniciais e a sensibilidade para compreender em qual momento a criança realmente necessita de ajuda ou pode ser incentivada a dar o próximo passo para aprender novidades.
Alguns acessórios do dia-a-dia são excelentes ferramentas. Vamos conhecê-los?
Baldes- para entrar, encher, derramar, gerar quedas de água com maior pressão sobre as partes do corpo. Dependendo do perfil da criança, as atividades de balde podem ser muito relaxantes e causar o efeito de acomodação de sensações, deixando-a menos agitada e mais atenta, compreendendo melhor a localização de seu corpo no espaço. Isso acontece devido a vários fatores como, por exemplo, o efeito de produção de neurotransmissores relaxantes quando o nosso corpo é pressionado, aconchegado. Para a criança que é mais sensível ao toque das texturas em seus corpos, o segredo é começar perguntando-lhe se deseja experimentar a água do balde nas mãos, depois nos pés, e ir, pouco a pouco, “ganhando” cada pedacinho do corpo, até chegar à nuca.
Chuveirinho – para experimentar sensações táteis e térmicas diferentes. Uma atividade interessante voltada às crianças mais sensíveis ao toque e que não gostam de pegar no lápis é desenhar ou escrever com a espuma e apagar com a água do chuveiro, sempre dialogando e mostrando-lhe a novidade.
Spray – para sentir sensações táteis e térmicas mais leves que a do chuveirinho, geralmente indicado para partes do corpo mais sensíveis – a cabeça e a face. Outro ganho dessa atividade é o fortalecimento motor manual mais intenso ao apertar para gerar o efeito em spray. Crianças com pouca habilidade manual, que apresentem maior fraqueza nas mãos, certamente irão se beneficiar e se divertir usando o spray para brincar.
Pias do banheiro ou da cozinha – são ótimas opções para manipular texturas diferentes como, por exemplo, espumas, cremes, algodão, tipos variados de bucha, vasilhames lisos e ásperos, visualizar cores e alimentos diversos. Em tais ambientes, as crianças também terão oportunidade de treinar e graduar suas habilidades em atividades de vida diárias, como autocuidado, alimentação, noções de responsabilidade e de organização.
Superfícies molhadas e escorregadias – Pode ser o chão do banheiro, da cozinha, da varanda, dentre outros. Quando a criança tem a opção de se molhar e de escorregar apoiada no chão, de impulsionar-se de um lado para o outro (deitado ou em pé), girar e equilibrar-se, ela estará ativando os seus sistemas neurais que transmitem auto referencias (vestibular e proprioceptivo) que ativam as capacidades primordiais na criança, ajudando-lhe a ter maior autopercepção, autocontrole e segurança emocional.
Por sua vez, se for possível a imersão na água, devemos pensar nas propriedades físicas atuantes no corpo, nas habilidades que precisamos alcançar para movimentarmos na água e também nas atividades significativas para as crianças enquanto estiverem brincando dentro da água.
Antes de começar a brincadeira, avise que vocês precisam trocar de roupa e peça a seu filho para despir-se e guardar seus pertences, como se estivessem em um vestiário de clube. Caso a atividade envolva molhar todo o corpo, peça também para vestir a roupa de água – maiô, biquíni, calção, short, touca, dentre outros acessórios.
Feito o preparo, iniciamos o contato com a água. Nesse momento, é muito importante fornecer os estímulos corretos, para que a criança possa se arriscar e se sentir segura ao mesmo tempo. Se a criança não quiser entrar, experimente colocar os dedos na água, depois os pés e, pouco a pouco, outras partes do corpo. Espere que seu filho se sinta bem em cada etapa para avançar. Uma boa dica é cantar canções de que ele goste ou que tenham relação com a água, indicar a ele os pontos seguros de apoio e usar brinquedos ou objetos lúdicos que flutuem ou boiem.
Em caso de crianças que estejam inseguras, a aproximação e a transmissão de confiança, além de muito afeto, no momento em que estiverem em contato com a água ou em imersão é interessante deixa-las explorar os pontos de apoio, dentre eles os corpos dos pais, para que tenham referências no momento de ambientação. Aos poucos, essas crianças podem ser direcionadas aos pontos de apoio diretamente (beirada, plataformas, materiais flutuantes), pois já aprenderam a buscar segurança. De outra forma, indicamos fornecer informações por meio do toque com as mãos, apoio dos pés e suporte no quadril para que elas se orientem em relação ao próprio corpo dentro da água, o que favorece a independência.
Destacamos, nesse contexto, que crianças com deficiência possuem demandas específicas e, por isso, os desafios para cada uma se apresentam se maneira única e subjetiva. Portanto, procure compreender os detalhes da relação e ter muito carinho e paciência para essa aprendizado.
Por fim, não podemos deixar de lembrar que a água é um brinquedo que brinca com a gente, então se encoraje, esteja confiante e descubra esse universo de possibilidades com o seu filho. Nos envie uma mensagem para saber mais sobre possíveis atividades de acordo com o perfil de sua criança e divirtam-se!
Obrigada!

Uma resposta para “Com meu filho na água, em casa!”
Excelente texto! Informações e orientações que nos fazem repensar nas simples condutas que temos no dia a dia com as crianças. Condutas estas que podem ser valorizadas mediante este olhar do “T.O na Água ” . Bora praticar!